5/28/2009

Há sempre uma ferida


Há sempre cicatrizes que perduram...a dor, e o silêncio








entre a saliva e os sonhos há sempre
uma ferida de que não conseguimos
regressar

e uma noite a vida
começa a doer muito
e os espelhos donde as almas partiram
agarram-nos pelos ombros e murmuram
como são terríveis os olhos do amor
quando acordam vazios

Alice Vieira

5/08/2009

Sou



Sou: curvas, contracurvas, violino, viola, ondulação e rebentação.
Sou: corpo, espiríto, alma e carne.
Sou corpo aberto. Sou tua.

5/03/2009

F... the moralists



Fuck the Moralists

Nenhuma verdade predomina. Tudo é passível de várias interpretações.

4/29/2009

Vermelho fogo




Toca-me assim... precisamente dessa maneira.

Levanto as pernas e satisfaço-te.

Toca-me exactamente aí.

Levanto as pernas, e sinto-te olhar,

Toca-me assim.

(que saudades da maneira como me tocavas)

4/27/2009

Eu Pecadora





todas as tempestades me assolaram,deitando-me indefesa aos teus doces e delicados pés.
a bonança nunca conheci.as intempéries da natureza sempre foram o meu castigo
chicoteando o meu fágil corpo já de pedra grés gelada.o meu coração, caiu não sei onde. disseram-me os animais, de olhos brilhantes, que escorregou, por culpa da chuva que me laminou o corpo - sangrando-o. nada tenho para dar, nada tenho para oferecer.o amor desconheço, a paixão já não me assiste.. sinto-me um corpo ambulante sem alma,à espera da inevitável tempestade. sem vontade própria, aprendi a despir para agradar - sem pudor, nem remorsos. exponho este corpo como castigo...





- que me perdoem, pois sou uma triste peacadora!

4/20/2009

Regressei

Fizeste-me chorar... mas sobrevivi.



Sobrevivo sempre.

11/21/2008

Assim





Cobre-me de "prata" meu amor

Devora o cheiro doce e irrequieto

que trago em mim.

1/14/2008

Patife



Patife...Cobre-me
Rasteja sobre mim
Larga o teu rasto a veneno no meu corpo
Rasga cada centimetro de pele que se atravessa no teu caminho
Lagarto! Lagarto! Lagarto!
Engole-me de uma só vez!

10/22/2007

Observo-te



Estou longe,

em silêncio,

distante,

mas sempre a olhar-te - docemente.

10/10/2007

Porque...

Ninguém merece...



...as nossas lágrimas ou tristeza!

10/03/2007

Sangue e sal



É esta a solitária devastação real com que nos masturbamos
O olhar das curvas dos corpos
A ganância da fome que nos engole.



(Fotografia de Christian Coigny)

9/28/2007

Thank God I´m a Woman...



Sei os teus seios.
Sei-os de cor.
Para a frente, para cima,
Despontam, alegres, os teus seios.
Vitoriosos já,
Mas não ainda triunfais.
Quem comparou os seios que são teus
(Banal imagem) a colinas!
Com donaire avançam os teus seios,
Ó minha embarcação!
Porque não há
Padarias que em vez de pão nos dêem seios
Logo p'la manhã?
Quantas vezes
Interrogastes, ao espelho, os seios?
Tão tolos os teus seios! Toda a noite
Com inveja um do outro, toda a santa
Noite!
Quantos seios ficaram por amar?
Seios pasmados, seios lorpas, seios
Como barrigas de glutões!
Seios decrépitos e no entanto belos
Como o que já viveu e fez viver!
Seios inacessíveis e tão altos
Como um orgulho que há-de rebentar
Em deseperadas, quarentonas lágrimas...
Seios fortes como os da Liberdade
-Delacroix-guiando o Povo.
Seios que vão à escola p'ra de lá saírem
Direitinhos p'ra casa...
Seios que deram o bom leite da vida
A vorazes filhos alheios!
Diz-se rijo dum seio que, vencido,
Acaba por vencer...
O amor excessivo dum poeta:
"E hei-de mandar fazer um almanaque
da pele encadernado do teu seio"
Retirar-me para uns seios que me esperam
Há tantos anos, fielmente, na província!
Arrulho de pequenos seios
No peitoril de uma janela
Aberta sobre a vida.

Botas, botirrafas
Pisando tudo, até os seios
Em que o amor se exalta e robustece!
Seios adivinhados, entrevistos,
Jamais possuídos, sempre desejados!
"Oculta, pois, oculta esses objectos
Altares onde fazem sacrifícios
Quantos os vêem com olhos indiscretos"
Raimundo Lúlio, a mulher casada
Que cortejastes, que perseguistes
Até entrares, a cavalo, p'la igreja
Onde fora rezar,
Mudou-te a vida quando te mostrou
("É isto que amas?")
De repente a podridão do seio.
Raparigas dos limões a oferecerem
Fruta mais atrevida: inesperados seios...
Uma roda de velhos seios despeitados,
Rabujando,
A pretexto de chá...
Engolfo-me num seio até perder
Memória de quem sou...
Quantos seios devorou a guerra, quantos,
Depressa ou devagar, roubou à vida,
À alegria, ao amor e às gulosas
Bocas dos miúdos!
Pouso a cabeça no teu seio
E nenhum desejo me estremece a carne.
Vejo os teus seios, absortos
Sobre um pequeno ser.

Alexandre O'Neill


9/26/2007

Sem comentários!

Olha-me nos olhos...

e diz-me que és tu!







"Quando ficas demasiado tempo a contemplar um abismo,
tambem o abismo te contemplara a ti"

Nietzsche

9/12/2007

Tua



Consegues atordoar a minha alma
dominar-me o coração
revolver-me as entranhas
revirar-me do avesso....






Boneco de PAU!

8/26/2007

Tentação



Deixa-te tentar...
Não tenhas medo... vem..

8/04/2007

cores de ti


"sei-te de cor."




"sei porque becos te escondes,
sei ao pormenor o teu melhor e o pior
sei de ti mais
do que queria"